10% da população mundial já tiveram depressão, 60% não fazem tratamento e apenas 50% são diagnosticados corretamente

Segundo os dados da Organização Mundial de Saúde, 10% da população mundial já tiveram pelo menos uma crise de depressão ao longo de sua vida. Um dado preocupante: cerca de 60% dos deprimidos não fazem tratamento e, dos doentes que procuram o clínico geral, apenas 50% são diagnosticados corretamente. A doença pode ocorrer em todas as idades, mas a adolescência e os primeiros anos da juventude são os períodos de maior risco, sobretudo para as mulheres. Os homens, ao contrário, estão em risco principalmente entre os 35 e os 44 anos.

Apesar de atingir uma grande parte da população - 121 milhões de pessoas no mundo, sendo 17 milhões apenas no Brasil -, a depressão, muitas vezes, não é diagnosticada nem tratada de maneira adequada. Hoje a doença é a quarta causa global de incapacidade e deve se tornar a segunda até o ano de 2021. Além disso, a Organização Mundial da Saúde estima que cerca de 75% das pessoas com depressão não recebem tratamento adequado.

A falta de informação sobre a depressão e seu estigma são importantes fatores para o crescimento dos números mencionados acima. Inclusive os médicos enfrentam desafios para entender e diagnosticar a doença, principalmente quando existem sintomas físicos associados ao quadro clínico. Uma pesquisa coordenada pela Federação Mundial para Saúde Mental, com apoio dos laboratórios Boehringer Ingelheim e Eli Lilly, chamada Testando os Médicos, revela que apenas 1/3 dos clínicos gerais acredita que a faculdade de medicina ofereceu preparo suficiente para diagnosticar a doença na primeira consulta assim como reconhecer e tratar os sintomas físicos e emocionais.

A pesquisa mostra também que 67% destes médicos demonstram preocupações sobre a possibilidade de um diagnóstico equivocado num paciente que apresenta sintomas de dor, quando na realidade está sofrendo de depressão. Além disso, 48% dos médicos concordam e 39% concordam plenamente que o ensino sobre depressão nas faculdades de medicina deve ser melhorado, enquanto nove entre 10 médicos disseram que o ensino sobre depressão, especialmente sobre sintomas físicos precisa melhorar. No total, foram avaliados cerca de 500 clínicos gerais com cerca de três a cinco anos de experiência, num período de três meses. A pesquisa entrevistou médicos do Brasil, França, Alemanha, México e Reino Unido.

Em relação às pessoas que sofrem de depressão, muitas não buscam ajuda porque não relacionam os sintomas à doença e costumam ignorá-los, principalmente quando se tratam de dores que não estão associadas a qualquer outra condição clínica - como dores de cabeça ou nas costas. Outra pesquisa realizada em 2005 para a Federação Mundial para Saúde Mental chamada Depressão: A Verdade Dolorosa mostra que quase 75% dos indivíduos deprimidos não acreditam que dores físicas inexplicáveis (sem causa clínica) representam sintomas da depressão. Mesmo assim, a maioria dessas pessoas consultou um médico justamente por causa das dores - isoladas ou combinadas com sintomas emocionais. Ainda de acordo com a pesquisa, o tempo médio de sofrimento destas pessoas até procurar um médico é de um ano, sendo que todas elas passaram por cerca de cinco consultas antes de receber o diagnóstico de depressão.


Yoga

O Yoga é um aliado no tratamento para depressão. Um estudo feito na Universidade da Califórnia, em Los Angeles, EUA, em 2004, submeteu 28 pessoas com depressão leve, que nunca haviam passado por tratamentos psiquiátricos ou tomado medicamentos, à prática de Yoga por cinco semanas. Os resultados mostraram que os pacientes tiveram diminuição dos sintomas de depressão e da ansiedade, melhora de humor e fadiga reduzida. Essas pesquisas sugerem que os asanas, os pranayamas e a meditação trazem vários benefícios para o sistema nervoso.


Sobre a depressão

A depressão não é apenas um transtorno de humor. Os sintomas vão além de tristeza, ansiedade, angústia e perda de interesse, podendo apresentar sintomas físicos como dores inexplicáveis pelo corpo sem causa clínica definida, alterações gastrintestinais, no sono e no apetite, dor de cabeça, entre outros. A depressão afeta o corpo todo e interfere na habilidade do paciente em trabalhar, estudar, comer, dormir e apreciar atividades antes agradáveis. A causa da doença ainda é desconhecida. Uma das teorias mais aceitas é que a depressão é conseqüência de uma disfunção no sistema nervoso central, que diminui e desequilibra as concentrações de dois neutransmissores (a serotonina e a noradrenalina), responsáveis pelo aparecimento dos sintomas físicos e emocionais mencionados anteriormente.

Apesar de ser uma doença séria e de difícil diagnóstico, existem tratamentos eficazes para a depressão. Os mais comuns envolvem psicoterapia e medicamentos e, para que haja o desaparecimento completo dos sintomas, é preciso que seja aplicado um tratamento completo. Um dos mais recentes antidepressivos, a duloxetina, atua simultaneamente na recaptação de serotonina e noradrenalina, agindo sobre os sintomas emocionais (tristeza, ansiedade, humor depressivo) e físicos (fadiga, alteração de peso e sono, dores de cabeça, nas costas, no pescoço, entre outras) relacionados à depressão. A duloxetina foi estudada, até o momento, em mais de 6.000 adultos com depressão, recebeu aprovação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e do FDA (Food and Drug Administration) e é comercializada em mais de 40 países, entre os quais Estados Unidos, México, Reino Unido, Alemanha e África do Sul.

É importante ressaltar, porém, que não se deve usar nenhum medicamento sem prescrição e rigoroso acompanhamento médico. Os pacientes com depressão devem também ser encorajados a modificar seus hábitos diários: realizar atividades físicas regulares, manter um período satisfatório de sono diário, ter uma boa alimentação e evitar o uso de substâncias como álcool e tabaco.

fonte: Eyoga
Extraído do site: http://www.sbac.org.br/qualinews/index.htm

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