Mar pode capturar mais CO2 do que o esperado, diz estudo
SÃO PAULO - Uma análise das concentrações de carbono
no Oceano Atlântico sugere que a capacidade dos mares de assimilar CO2,
o principal gás causador do efeito estufa, é muito maior que
a estimada anteriormente. Isso significa que os oceanos podem ser capazes de
manter grandes quantidades de carbono fora da atmosfera por longos períodos
de tempo, o que poderia retardar a marcha do aquecimento global.
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Mas nossas descobertas não resolvem o problema do efeito estufa",
adverte o principal autor do trabalho, Douglas Wallace, da Universidade de
Kiel, na Alemanha.
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Seria um enorme erro e eu não recomendaria" usar esses resultados
como argumento para combater as restrições à emissão
de carbono, acrescenta Wallace. "Nossas descobertas podem representar
apenas um pequeno aumento, ou prorrogação, da captura de CO2
(pelo mar)", explica o cientista. "Com certeza nossas descobertas
não implicam que os riscos do aquecimento global e das emissões
de CO2 são menores".
Risco ecológico
Wallace pondera que, na verdade, uma maior absorção de gás
carbônico pelo mar pode gerar perigos ecológicos de outro tipo,
ao alterar a química dos mares, aumentando acidez das águas,
o que será prejudicial a diversas formas de vida.
Avaliar quanto do carbono gerado pela atividade humana é capturado pelos
mares é uma tarefa difícil, em parte por causa da dificuldade
em determinar quanto carbono existia nos oceanos antes que a humanidade começasse
a queimar combustíveis fósseis e, em parte, porque outros gases
gerados pelo homem e que poderiam ser usados para balizar as estimativas do
CO2 - por exemplo, os clofofluorcarbonos, ou CFCs - só começaram
a ser emitidos muito tempo depois do início da era industrial.
Para contornar essas dificuldades, a equipe de Wallace se valeu de medições
da concentração de carbono inorgânico - principalmente
o íon bicarbonato - no Atlântico Norte em 1981 e 2004, e usaram
a diferença para inferir quanto das emissões de CO2 feitas pelo
homem são assimiladas pelo oceano. Os íons de carbono inorgânico
foram escolhidos para avaliação porque surgem quando o CO2 reage
com a água do mar, depois de dissolver-se. O resultado surpreendente
surgiu quando os cientistas determinaram que o carbono inorgânico chega
a profundidades maiores do que se estimava.
Isso pode significar que será muito mais difícil esgotar a capacidade
do oceano de retira CO2 da atmosfera, já que, ao mergulhar rumo às
profundezas, o carbono já assimilado abre espaço, na superfície
- que está em contato com a atmosfera - para a absorção
de mais e mais moléculas de gás carbônico. O trabalho de
Wallace será publicado, nesta semana, no periódico Proceedings
of the National Academy of Sciences (PNAS).
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O principal ponto do artigo é que o sinal está claramente acima
da variabilidade natural", diz Wallace. "Descobrimos isso no fundo
do Atlântico, mas o Atlântico não é um oceano assim
tão grande". O pesquisador se pergunta que a aplicação
da mesma técnica a um oceano mais vasto, como o Pacífico Sul,
mostrará uma elevação tão grande na concentração
de carbono em águas profundas.
fonte: Carlos Orsi do Estado de S. Paulo
Extraído do site: http://www.sbac.org.br/qualinews/index.htm
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